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Secreto Número Zero Zero: Desvende Devaneios

Arte em preto e branco de Morpheus, personagem de Sandman, com expressão enigmática, cabelos desarrumados e um manto escuro envolvendo sua figura.
Morpheus, o Perpétuo dos Sonhos, em uma ilustração sombria e etérea da aclamada HQ Sandman, de Neil Gaiman.


Secreto nº00: Devaneios e a Arquitetura dos Sonhos

Quando os Sonhos se Tornam Pesadelos

Algumas palavras não pertencem apenas ao papel. São escrevivências que se infiltram, sussurram no silêncio das páginas, pedem para ser desvendadas.

Desvende Devaneios, poema que compõe um enigma textual dentro do livro Pior do que o Tédio: Volume I - Concreto, Poluição e Poesia, é uma dessas obras que se deslocam entre a consciência e o esquecimento.

Seu status de Secreto nº00 o esconde como um sonho interrompido no meio da insônia.

Mas o que há para ser desvendado?

Este poema não é uma simples sequência de versos, mas uma incursão dentro da mente do leitor. Opera ação como uma chave. Ao lê-lo, a sensação é a de estar dentro de um labirinto de referências que se cruzam:

-literatura, filosofia, psicologia e cultura pop se entrelaçam, formando uma teia sem começo ou fim. Entre Edgar Allan Poe e Franz Kafka, Freud e Nietzsche, Morpheus e Gregor Samsa, a narrativa se desenha como um delírio lúcido, como se cada verso fosse um portal para um universo paralelo.

E então, surge uma pergunta que desconstroi tudo:

"Neil Gaiman é um pesadelo?"

Os personagens que Gaiman criou, aqueles que transcenderam a cultura pop e narraram sonhos, desespero e transcendência, agora o cercam. A reunião acontece em um espaço indefinido – um tribunal etéreo, talvez o próprio reino do Sonhar.

Morpheus se inclina sobre ele, o Senhor dos Sonhos agora não mais um narrador distante, mas um inquisidor. Delirium dança sem rumo, mas seus olhos brilham com um discernimento oculto. Desespero arrasta suas garras contra a pele da realidade, enquanto Desejo, com seu sorriso ambíguo, provoca: "Você sempre soube que tudo era ilusão, não sabia?"

Destiny, de sua biblioteca infinita, vira uma página onde o nome do autor já está escrito. Destruction, que sempre evitou a destruição, observa em silêncio.

Morte, com sua serenidade inexorável, sussurra: "Todos os sonhos têm um fim. E você, Gaiman, és uma finalidade ou encerramento?"

O Corvo de Poe pousa num ombro invisível, repetindo seu mantra imutável. 

Nevermore Nevermore Nevermore.

Freud e Jung tomam assento na discussão, seus arquétipos agora palpáveis. Gregor Samsa, ainda meio inseto, rasteja na periferia da cena.

Caim e Abel, os primeiros irmãos e assassino e vítima eternos, murmuram entre si. Existe punição 

E todos, em uníssono, perguntam:

"Você é o pesadelo?"

Recentemente, Gaiman foi envolvido em graves acusações que colocam sua própria obra sob um olhar inquietante. Scarlett Pavlovich, ex-babá de seus filhos, entrou com processos judiciais alegando abuso e coerção. O caso se desenrola, mas as sombras já se espalham.

Se confirmadas as acusações, o que acontece com a mitologia dos sonhos?  Morpheus ainda seria um guia, ou apenas um reflexo de um autor condenado pelos próprios pesadelos?

Em resposta às acusações, Gaiman declarou:

"Algumas das histórias horríveis que estão sendo contadas simplesmente nunca aconteceram, enquanto outras foram tão distorcidas do que realmente aconteceu que não têm nenhuma relação com a realidade. Estou preparado para assumir a responsabilidade por qualquer erro que tenha cometido. Não estou disposto a virar as costas para a verdade, e não posso aceitar ser descrito como alguém que eu não sou, e não posso, nem vou admitir ter feito coisas que eu não fiz."

O paradoxo é inevitável. O autor que nos ensinou a andar pelos domínios do inconsciente, aquele que teceu as regras da mitologia moderna do Sonhar, pode agora estar sendo engolido por ele.

Sonhos, Metamorfoses e Pesadelos: Um Poema ou Um Chamado?

Desde a primeira linha, Desvende Devaneios invoca o leitor para um ritual de iniciação dentro do inconsciente coletivo. A repetição do título não é um mero efeito estilístico, mas um convite insistente:

"Desvende Devaneios, Desvende Devaneios, Desvende Devaneios."

Algo deve ser descoberto. Algo está oculto nas entrelinhas.

A dualidade do inferno e paraíso se impõe logo no começo:

"CAIM, ABEL, OLORUM, LÚCIFER, PARAÍSO. QUEM VAI PARA O INFERNO,QUANDO O INFERNO É AQUI, EM TERRA FIRME?"

O que é a danação senão o próprio estado de vigília? O inferno não é um lugar mítico, mas um estado de existência. Estaria o poeta afirmando que já estamos condenados à repetição da vida sem sentido? Que a modernidade impôs um novo tipo de purgatório, onde a metrópole sufoca tanto quanto a culpa ancestral de Caim?

A resposta talvez esteja nos versos que seguem.

A evocação dos Perpétuos sugere uma transição entre os estados de ser e de sonhar. Morpheus, Delirium, Desespero, Morte, Destruição, Desejo e Destino aparecem como entidades maiores que nos observam, manipulando nossos passos sem que percebamos.

Freud, Nietzsche e o Sonho como Ruína

A presença de Freud, Jung e Nietzsche no poema não é gratuita. A psicanálise e a filosofia são pilares invisíveis que sustentam a reflexão.

"QUAL O SIGNIFICADO DE CONTINUAR ACREDITANDO NA DEFESA DE FALSOS SONHOS?"

A pergunta ecoa como um desafio. Que sonhos são esses que nos vendem? Que promessas vazias nos mantêm de pé?

E então, surge a pergunta que desconstroi tudo:

"Neil Gaiman é um pesadelo?"

A mitologia que construiu pode estar desmoronando sobre si mesma. Agora, diante das sombras que o cercam, resta saber se ele acordará desse pesadelo ou se será devorado por ele.

Os Perpétuos o olham, esperando uma resposta.

E Morpheus sussurra:

"Tudo o que um sonho precisa para ser real é alguém que acredite nele."

Então, o que é preciso para que um pesadelo se revele como real? Lobos Pesadelos vestidos em pele de cordeiros quando são descobertos trata-se de uma revelação de um ser que se tornou Lobo Pesadelo ou mostram o que sempre ser?

Nevermore Nevermore Nevermore.
Ecoa o Corvo.

Desvende Devaneios
Desvende Devaneios
Desvende Devaneios

CAIM, ABEL, OLORUM, LÚCIFER, PARAÍSO.
QUEM VAI PARA O INFERNO,
QUANDO O INFERNO É AQUI, EM TERRA FIRME?

GREGOR SAMSA, KAICKUL, CORÍNTIO, SANDMAN,
LÚCIFER, PERPÉTUOS, MORPHEUS,
DELIRIUM, DESESPERO, DEATH,
DESTRUCTION, DESPAIR, DESIRE, DESTINY.

SERÁ QUE A METAMORFOSE TRANSFORMA MAIS
QUE O BATER DAS ASAS DA BORBOLETA?

SERES DE LUZ, SERES ETERNOS, SERES DE SONHOS,
SETE SERES DE UM CRIADOR-PESADELO.

DESPERTOU DE SONHOS INTRANQUILOS?
ECLODIU DO FIM DO CASULO?

Desvende Devaneios
Desvende Devaneios
Desvende Devaneios

Diário de Bitita, EDGAR ALLAN POE,
FRANZ KAFKA, O Corvo, INVENTÁRIO,
ILHA DO MEDO, QUILOMBO SARACURA.

Nevermore, Nevermore, Nevermore,
ECOA O CORVO.

O AVANÇO DO METRÔ DESTRÓI
OS DESTROÇOS DA HISTÓRIA
NEGRA NA CIDADE CINZA.

IMAGINAÇÃO, DREAM, PROCESSOS, DESTINO.

Nevermore, Nevermore, Nevermore,
ECOA O CORVO.
Neil Gaiman é um pesadelo?

Nevermore, Nevermore, Nevermore,
ECOA O CORVO.

SIGMUND FREUD, JUNG, NIETZSCHE.

QUAL O SIGNIFICADO DE CONTINUAR
ACREDITANDO NA DEFESA DE FALSOS SONHOS?

Nevermore, Nevermore, Nevermore,
ECOA O CORVO.

Pesadelos,
Neil Gaiman,
Sonhos intranquilos.

Nevermore, Nevermore, Nevermore,
ECOA O CORVO.
QUEM VAI PARA O INFERNO?

Pesadelos,
Neil Gaiman,
Sonhos intranquilos.

Desvende Devaneios
Desvende Devaneios
Desvende Devaneios
Desvende Devaneios

Nevermore, Nevermore, Nevermore,
ECOA O CORVO.
QUEM VAI PARA O INFERNO?

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