Pesquisar este blog

O Barulho do Asfalto em Transe: O Lançamento de Músicas Para Matar o Tédio - Volume I e a Estética do Desconforto

Capa do projeto Músicas Para Matar o Tédio Volume I, com textura visual urbana e tipografia experimental.
artigo-experiência // música, cidade, ruído

O Barulho do Asfalto em Transe: O Lançamento de Músicas Para Matar o Tédio - Volume I e a Estética do Desconforto

Entre colagens sonoras, ruído urbano e a vertigem de São Paulo, o universo autoral de Elidio Santos, Aster Yrota e Solenildo Eugênio Branco antecipa a poética brutal de Pior do que o Tédio — Volume I: Concreto, Poluição e Poesia.

25.09.2026São Paulo6 faixas41 minP&B / ruído / low-fi
pré-resumo // leitura rápida

Antes de apertar o play

O lançamento funciona como prólogo sonoro para Pior do que o Tédio — Volume I: Concreto, Poluição e Poesia, colocando poesia urbana, inteligência artificial, síntese sonora e colagem low-fi dentro da mesma superfície.

ObjetoLançamento do vídeo audiovisual e álbum Músicas Para Matar o Tédio - Volume I.
Autor e Direção ArtísticaElidio Santos (ortônimo), em colaboração com os heterônimos Aster Yrota e Solenildo Eugênio Branco.
Proposta ArtísticaObra multidisciplinar que funde poesia urbana, inteligência artificial, síntese sonora e colagem low-fi em resposta ao marasmo da metrópole.
ProjeçãoPrólogo sonoro para o livro impresso Pior do que o Tédio — Volume I: Concreto, Poluição e Poesia.
I

A Geometria da Vertigem: O Ruído Como Linguagem

Caminhar por São Paulo sem fones de ouvido é submeter-se a um bombardeio incessante de frequências desordenadas. Motores em desaceleração nas avenidas, a buzina cortante no cruzamento, o atrito do trem com os trilhos nas estações do metrô e o murmúrio indistinto da multidão formam a camada tectônica da rotina. O projeto P.Q.T. | Pior do que o Tédio nasce no centro dessa engrenagem estressada, recusando a postura contemplativa passiva para assumir a matéria-prima do caos e convertê-la em manifesto poético e sonoro.

Com o lançamento do vídeo e álbum experimental Músicas Para Matar o Tédio - Volume I, disponível na íntegra no YouTube, a proposta transcende a simples ideia de uma trilha sonora de fundo. Trata-se da construção deliberada de uma experiência imersiva que opera nas brechas do cotidiano. Se a música comercial busca distrair o ouvinte dos atritos da vida urbana, este trabalho faz o movimento oposto: joga o indivíduo de volta contra a parede de concreto, forçando o confronto com a estática e a repetição que caracterizam a vida nas metrópoles contemporâneas.

O álbum é o prólogo tátil e auditivo do livro Volume I: Concreto, Poluição e Poesia, cuja chegada ao público marcará a consolidação do universo autoral dirigido por Elidio Santos. A decisão de preceder o texto impresso por uma massa de som manipulada reflete a compreensão de que a poesia de São Paulo não nasce no silêncio dos gabinetes, mas no atrito das solas de sapato sobre a calçada encardida, sob o céu cinzento salpicado de fuligem.

II

O Tríptico da Autoria: Ortônimo, Heterônimos e a Tutela Criativa

O tecido conceitual de Pior do que o Tédio sustenta-se por uma estrutura autoral desdobrada. No centro da condução artística encontra-se Elidio Santos, o ortônimo que assina a tutela e o norte estrutural da obra. No entanto, a complexidade e as nuances do tédio urbano exigem mais do que uma voz única; exigem fragmentação, alteridade e prismas contrastantes de percepção.

É nessa fratura criativa que emergem os heterônimos Aster Yrota e Solenildo Eugênio Branco:

ortônimo // arquitetura

Elidio Santos

Atua como o arquiteto da obra. É quem organiza o caos, estabelece as diretrizes estéticas e conduz a síntese entre a palavra escrita e a manipulação digital. Sua presença garante a coerência narrativa e conceitual de todo o universo P.Q.T.

heterônimo // aspereza

Aster Yrota

A persona responsável pela aspereza, pelo desmonte e pela colagem visceral. Aster opera nas frequências mais dissonantes, extraindo da poluição visual e sonora os fragmentos de uma poesia crua e sem concessões.

heterônimo // suspensão

Solenildo Eugênio Branco

O elemento de introspeção e suspensão. Solenildo trabalha as camadas de repetição, a lentidão dos intervalos e o silêncio acumulado entre as sílabas, traduzindo o estado estático de quem observa o tempo escorrer pela janela.

Essa dinâmica heteronímica não se limita a um jogo literário formal. Ela reflete a própria desintegração do sujeito contemporâneo diante da escala esmagadora da cidade. Ao permitir que vozes com temperamentos tão distintos habitem a mesma composição, o projeto ganha densidade e recusa respostas simplistas para o mal-estar da época.

▶

O Experimento Audiovisual Completo

Assista abaixo à versão completa do projeto Músicas Para Matar o Tédio - Volume I, registrando mais de 40 minutos de imersão visual e sonora em preto e branco pelas artérias de São Paulo:

transmissão integral // abrir no YouTube
III

Arqueologia Sonora: As Seis Faixas do Volume I

A arquitetura de Músicas Para Matar o Tédio - Volume I organiza-se em seis faixas distintas, cada uma explorando uma faceta específica da neurose e da contemplação urbana. O uso de recursos digitais, síntese sonora, algoritmos de inteligência artificial e gravações de campo (field recordings) constrói um mosaico onde o limite entre o instrumento e o acidente técnico deixa de existir.

estrutura das faixas // volume I
  1. 01A Pior Trilha nº 001Manifesto da fricção e aspereza.
  2. 02Anestersia nº 001Suspensão tátil e torpor contínuo.
  3. 03Pare e Cruze com Cuidado nº 001O ritmo mecânico da sinalização.
  4. 04Reza Cinza - EmQuatroAtosRitual poético desmembrado em fases.
  5. 05AbstraSão, Paulo nº 001Geometria sonora do mapa paulistano.
  6. 06Esquizitoozee nº 001Dissonância e ruído em estado puro.
faixa 01 // manifesto

1. A Pior Trilha nº 001

A abertura do projeto estabelece de imediato a recusa ao conforto. Com frequências rascantes e uma cadência que simula o caminhar incerto sobre o asfalto irregular, a faixa funciona como um aviso de corte. Aqui, a manipulação de ruídos urbanos sobrepõe-se à melodia tradicional, traduzindo o momento exato em que o indivíduo desiste de procurar ordem no trânsito.

faixa 02 // torpor

2. Anestersia nº 001

Em contraste com a rispidez da faixa anterior, Anestersia nº 001 mergulha em superfícies macias e repetitivas. É o som do torpor prolongado, a sensação tátil de permanecer imóvel em um vagão lotado enquanto a paisagem do do lado de fora se dissolve em névoa e poluição. As camadas sintetizadas arrastam-se vagarosamente, emulando o ritmo cardíaco reduzido de quem observa o tempo passar sem pressa e sem esperança de mudança.

faixa 03 // sinalização

3. Pare e Cruze com Cuidado nº 001

Inspirada nos alertas visuais e sonoros espalhados pelas travessias de pedestres e trilhos da cidade, esta composição constrói sua base a partir do ritmo mecânico das máquinas. A repetição obstinada do sinal sonoro transforma-se em um mantra hipnótico. A intervenção dos heterônimos injeta pequenas falhas digitais no loop, desestabilizando a falsa segurança que os sinais urbanos pretendem transmitir.

faixa 04 // quatro atos

4. Reza Cinza - EmQuatroAtos

Constituindo o ponto de inflexão narrativa do álbum, Reza Cinza divide-se em quatro movimentos encadeados. Trata-se de uma ladainha profana dedicada à fuligem, aos viadutos e à solidão compartilhada por milhões de habitantes. As vozes fragmentadas e os sussurros processados por inteligência artificial simulam a oração contida de quem busca algum sentido no meio da selva de pedra.

faixa 05 // cartografia

5. AbstraSão, Paulo nº 001

Uma cartografia sonora da maior metrópole da América do Sul. AbstraSão, Paulo nº 001 desconstruindo a geografia física da cidade para remontá-la em termos de densidade acústica. O zumbido dos transformadores elétricos, o ruído distante das serras circulares em canteiros de obra e o eco nas estações subterrâneas fundem-se em uma massa de som sintetizado que evoca tanto o fascínio quanto o esgotamento.

faixa 06 // residual

6. Esquizitoozee nº 001

O encerramento do Volume I ocorre sob o signo da estranheza deliberada. Esquizitoozee nº 001 expõe as costuras da produção experimental: acidentes musicais mantidos intencionalmente, micro-fonia tratada e arranjos fora de tempo. É o momento em que a estrutura desaba para dar lugar ao ruído residual, deixando o ouvinte suspenso no silêncio que se segue ao fim da execução.

IV

A Narrativa Audiovisual em Preto e Branco

O suporte visual do projeto no YouTube reforça o compromisso do projeto P.Q.T. com uma estética rigorosa e coesa. Ao longo dos 41 minutos de duração do vídeo, a câmera percorre a cidade de São Paulo em um preto e branco estritamente contrastado, eliminando qualquer distração cromática para focar na textura dos materiais: a porosidade do concreto armado, o brilho do asfalto molhado pela chuva e o desgaste das superfícies urbanas.

A edição acompanha o fluxo das pessoas nas escadas rolantes do metrô, o movimento repetitivo dos automóveis travados no trânsito e o olhar vago dos passageiros encostados às janelas dos ônibus. Há uma atenção quase hipnótica aos detalhes arquitetônicos e aos acidentes da paisagem — fios entrelaçados nos postes, pichações parcialmente apagadas e o contraste entre a imponência dos edifícios e a pequenez dos corpos que transitam sob suas sombras.

Essa linguagem visual em P&B não funciona como mero ornamento. Ela atua como um filtro crítico que desnudando a cidade de seu apelo comercial para expor sua ossatura essencial. A imagem não tenta embelezar o tédio; ela concede ao tédio uma dignidade estética e reflexiva.

V

Tecnologia e Experimento: A Inteligência Artificial Como Pincel Poético

Em um momento em que as ferramentas de inteligência artificial são frequentemente empregadas para a produção automatizada de conteúdos padronizados, a proposta de Elidio Santos caminha na direção contrária. No ecossistema de Pior do que o Tédio, a tecnologia não substitui o gesto humano, mas é provocada a errar, a gerar texturas imprevisíveis e a atuar como um colaborador instável.

A inteligência artificial é utilizada aqui como um dispositivo de manipulação e síntese, submetendo arquivos de áudio originais, leituras poéticas e ruídos ambientais a processos de estiramento, filtragem e reamostragem. O resultado não é uma sonoridade polida ou algorítmicamente perfeita, mas uma superfície ruidosa cheia de imperfeições, onde a presença da máquina revela a própria estranheza da mediação tecnológica no nosso dia a dia.

Essa abordagem reflete a multidisciplinaridade do projeto, que costura a tradição da poesia urbana paulistana às práticas contemporâneas da arte sonora digital. O tédio deixa de ser uma emoção passiva e transforma-se em um laboratório de investigação estética.

VI

O Caminho Para o Livro: Volume I: Concreto, Poluição e Poesia

O lançamento de Músicas Para Matar o Tédio - Volume I cumpre um papel estratégico no desenvolvimento da obra autoral de Elidio Santos. Ele pavimenta o terreno sensorial para a publicação iminente do livro Pior do que o Tédio — Volume I: Concreto, Poluição e Poesia.

Se o álbum de áudio e o vídeo audiovisual operam na dimensão do tempo e do som, o livro trará a fixação verbal desse mesmo universo em papel impresso. Textos poéticos, ensaios fragmentados, colagens visuais e intervenções gráficas compõem a edição física, estabelecendo uma ponte direta com os temas já explorados pelas faixas sonoras.

As pessoas que mergulham no álbum agora encontrarão no futuro volume impresso a continuação natural desse diálogo com a cidade. A leitura será acompanhada pelos ecos de A Pior Trilha nº 001 e pela atmosfera rarefeita de Reza Cinza, criando uma experiência de leitura expandida onde o texto escrito carrega a memória do ruído urbano.

a experiência continua fora desta página

Pior do que o Tédio — Volume I

O disco funciona como porta de entrada para Concreto, Poluição e Poesia: livro-objeto, poesia urbana, intervenções gráficas, enigmas e camadas físicas e digitais do mesmo universo.

VII

Como Consumir o Universo P.Q.T.

Para vivenciar integralmente a proposta do projeto Músicas Para Matar o Tédio - Volume I, recomenda-se o consumo consciente da obra no ambiente para o qual foi concebida:

  1. Assista e Escute no YouTube: Acesse o vídeo oficial através do link Músicas Para Matar o Tédio - Volume I para experimentar a fusão entre a trilha sonora experimental e as imagens de São Paulo em preto e branco.
  2. Acompanhe a Plataforma Oficial: Visite o portal www.piordoqueotedio.dosepublicitaria.com para ler os manifesto autorais, conferir novos fragmentos de textos e acompanhar o cronograma de lançamento do livro impresso.
  3. Incorpore à Rotina: Utilize a trilha sonora durante deslocamentos urbanos, momentos de trabalho concentrado ou períodos de espera contemplativa, permitindo que as faixas reorganizem sua percepção do espaço ao redor.
fim da transmissão // o ruído continua fora da tela

Elidio Santos // Aster Yrota // Solenildo Eugênio Branco // Pior do que o Tédio // Cruzadas Poéticas

Nenhum comentário:

Pages

By Elidio Santos // Dose Publicitária | Cruzadas Poéticas | Todos os Direitos Reservados